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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O grande acontecimento 3 - O orgasmo de Das Dores

Das Dores é a inspetora da escolinha “Tradição Infantil”. É ela quem recolhe os cacos das coisas que as crianças derrubam; é ela quem protege os alunos frágeis, como Onejar, da ameaça dos fortes; é ela quem diagnostica as doenças e decide falar ou não com a coordenadora, que tem pouco tempo para os alunos.

Das Dores é já uma senhora, mas ainda guarda em si os fogos que teve na juventude. Depois que o marido fugiu, já lá vão mais de dez anos, ninguém pode agüentar essa enormidade de tempo sem carinho sexual, Das Dores não se casou para não ter de cozinhar para ninguém, a não ser para si própria. Mantinha, pois, alguns amigos, cuja ausência ela dizia lamentar; na verdade, a ausência de um virava a presença de outro e Das Dores sentia-se satisfeita em não ser enganada e não enganar: era já na primeira noite que ela dizia querer uns carinhos mais íntimos – mas isso não queria dizer que fosse surgir ali uma relação fixa, no papel. E os amigos aceitavam, naturalmente, e Das Dores acreditava ser uma mulher moderna.

Foi no ônibus que Das Dores viveu o grande momento de sua vida. Sentindo o trepidar do motor combinado às irregularidades do asfalto, Das Dores sentiu prazer e, fazendo contrair os músculos da vagina, acompanhando as vibrações externas, teve um orgasmo vigoroso e solitário, o que não julgava ser possível.

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