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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Rio de Janeiro

Tenho frequentado o Rio de Janeiro a trabalho. Já era encantado da cidade, muito antes. Mas agora ela tem me impressionado por motivos diversos. Quando era moleque, queria estar aqui pelas praias; hoje, ainda gosto delas, mas tenho circulado mais pelo centro e, neste domingo, estive no Jardim Botânico. O clima - sobretudo na perspectiva de um paulistano - é de desfrute, o tempo todo.

Mais engraçado é que andei falando, em aula no CPV, sobre a Missão Artística Francesa, que chegou ao Rio em 1826, com a tarefa de criar por aqui uma escola de artes. A escola foi criada, mas do prédio dela só restou a fachada neoclássica, perdida no meio do Jardim Botânico:

  
Os leitores desculparão a falta de qualidade da foto: foi tirada do celular mesmo. O que interessa saber é que do Jardim Botânico é possível ver o Cristo Redentor, ir à escavação arqueológica de uma casa em que eram produzidos explosivos, visitar a mesa em que D. João VI e D. Pedro I gostavam de tomar café e levar as crianças a um parquinho - onde, antes de meados do século XIX, funcionava uma espécie de armazém de armas, e que explodiu. E é exatamente isso que mais tem me encantado no Rio: a capacidade que os cariocas têm de transformar tudo em desfrute, em curtição. O que era reservatório de armas virou parquinho para as crianças.

O mesmo vale para a casa que existe no Parque Lage, em cujo interior pode-se tomar uma cerveja, almoçar, ler e curtir alguns pufes. A foto a seguir é apenas externa (curti tanto o interior da casa que acabei me esquecendo de fotografá-lo). Foi nessa casa em que foram filmadas algumas cenas do Terra em Transe, do Glauber Rocha:


Isso é outra coisa que eu curto no Rio: de certa forma, mesmo que capenga, como em qualquer lugar do Brasil, a história aqui é bem mais preservada do que em São Paulo. Ou, explicando minha impressão de outro jeito: em São Paulo, parece que a força do capital, mesmo que não atropele alguns monumentos históricos, acaba por sufocá-los. São os prédios do centrão de São Paulo que cercam o Pátio do Colégio, por exemplo. Aqui, há traços do Império em todos os cantos:


Esse é um detalhe da fachada do Teatro Municipal, que é do lado da...


..., duas construções muito legais, uma ao lado da outra, na Cinelândia. De certa forma, o centro do Rio é mais leve: tem uma Praça Mahatma Ghandi, com uma puta estátua do líder indiano. Aqui no Rio, é perceptível a intenção de forjar, por mais que seja por meios capengas, a identidade nacional. Quero dizer com isso que tenho "saudades literárias" do Rio de Janeiro: gosto de imaginar que foi por aqui que Machado de Assis andou e escreveu todos os textos que eu li. Aliás, andando pelo centro, é possível encontrar coisas assim ó:


Bem legal. No mais, no final da tarde, além das praias, é possível desfrutar a paisagem da Lagoa Rodrigo de Freitas:


E insisto: tenho a impressão de que, aqui no Rio de Janeiro (na Zona Sul, ao menos), toda a paisagem é desfrutada.

Um comentário :

Ju Marques disse...

Eu sou uma apaixonada pelo Rio. E é estranho como as pessoas são preconceituosas por causa do que assistem na TV.
Não raramente quando digo que adoro o Rio de Janeiro, sou alvejada por críticas em razão da "falta de educação" dos cariocas, da violência, do tráfico, das favelas...
Não que eu discorde completamente de que esses elementos existem por aí. Mas e por aqui? Tb não existem uns babacas marrentos, violência, tráfico...?
Enfim... fico com a impressão de que os paulistanos têm uma ideia exagerada quanto à qualidade de São Paulo e, por isso, acabam por rejeitar a riqueza de outras partes do Brasil.

Curti o texto!

Bj