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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A palavra que não se fala

Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio - pondo perpétuo. Eu já sofria o começo de velhice - esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. (...)

Sem fazer véspera. Sou doido. Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos   todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos.

de  "A Terceira Margem do Rio", de Guimarães Rosa

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