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domingo, 13 de maio de 2012

Emicida: "um dia vai ter que haver um conflito"




Emicida foi preso hoje por meter o dedo na ferida. Mas já pressagiou tempos melhores, como se pode observar abaixo, no trecho de longa entrevista que deu a Pedro Alexandre Sanches.


Emicida: Tipo isso, você tá falando pra população, “a gente gasta tanto todo ano na Virada Cultural, um megaevento”. Beleza, bacana, é uma ideia muito louca. Mas, cara, por que não organizam os CEUs, não fazem os caras rodar neles? Arte é foda, querem fazer parecer arte e política desconexos, mas não. Arte é oxigenar a cabeça das pessoas, fazer elas pensar em outras coisas. E quando você desvia a atenção das pessoas pra outra coisa é uma caixa de Pandora, um milhão de coisas pode sair de dentro. Elas podem sair dali mais alienadas do que entraram, ou podem sair querendo mudar o mundo, de verdade. Foi o que aconteceu com nós. Você tem um aparato tipo o CEU, imagina se realmente funcionasse. Os caras tavam fodidos, mano. Aí a gente ia ter uns manos nossos circulando dentro da USP mesmo, e outros abdicando da USP porque não ia precisar.

Pedro Alexandre Sanches: Minha impressão é que esse processo é o que está acontecendo, e explica, por exemplo, a sua existência. Não tem volta, vocês vão querer cada vez mais – nós vamos querer mais.

Emicida: E por isso eu faço questão de aparecer mesmo nos lugares. Porque realmente eles podem por panos quentes em tudo, mas, cara, um dia vai ter que haver um conflito. Um dia os caras vão ter que se mostrar publicamente desagradados com isso. E eu acho que isso tá chegando.

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