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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Apoemático urbano


Com toda a barulheira,
todo o trânsito que impede a circulação,
toda a agressividade dos motoristas nas ruas,
toda a música no volume máximo no carro
fazendo tremer as janelas das casas,
todas as motocicletas
ensurdecedoras de cachorros-loucos acintosos,
todas as polícias e todo bandido,
todos os prédios empinados, emproados
erigidos em meio a casas e cidadãos
(pra que tanta gente?, meu deus)
cada vez menores e idênticos -

pretendo desistir da humanidade, do expediente, do protocolo
e das manifestações de apreço ao senhor diretor de marketing e propaganda
que celebra a especulação imobilária
dando-lhe lineamentos de progresso, distribuição de renda
e redução do déficit habitacional

(enquanto isso, tem um cachorro esfomeado na casa vizinha:
o dono não o alimenta para que ele seja
o mais feroz sistema de segurança de todo o oeste
e eu, falência completa de ser humano impotente,
tenho medo de denunciá-lo à delegacia de proteção dos animais
vai saber do que meu vizinho é capaz)

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