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sábado, 13 de maio de 2017

O mistério de maio

Da última vez em que escrevi neste blog, era 31 de maio. Hoje volto a escrever no dia 13 do mesmo mês - e a mera troca dos números com preservação do mês deve provavelmente querer dizer alguma coisa. Maio é o mês em que abandonei o cigarro, seis anos atrás. Concluo que maio para mim é mês de mudança, ainda que seja apenas uma mera troca dos números.

Mas o motivo que me trouxe aqui foi a tentativa de parodiar um poema de Fernando Pessoa. Trata-se de atitude arrogante, indiscutivelmente, mas prometo que não quero me comparar, mas salvar-me. Por isso, escreverei o poema sem divulgá-lo nas redes. Vai morrer aqui, neste blog empoeirado e sem visitantes.

ESCRITO NUM LIVRO ABANDONADO NO METRÔ

Venho dos lados da Lapa.
Vou para o olho do furacão, onde nasci, naturalmente,
terra de avenidas revoltas, repletas de ônibus entupidos de 
qualquer coisa como gente,
atacado por hordas de motocicletas furibundas empinadas
montadas por sabe-se-lá-quem embriagado
de álcool e vida e trabalho.
Não trago nada e não acharei nada,
mas insisto num momento lúcido e competente
na meditação leve do que não controlo
na aceitação completa de que perdi o controle - 
e fico em paz. 

A saudade do que sinto não é nem do passado nem do futuro
mas é de hoje.
Apenas hoje. 


Um comentário :

Anônimo disse...

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